domingo, 8 de novembro de 2009

fofices do design: zubbles


Tim Kehoe deve ter sido uma criança curiosa, criativa e que não aceitava não como resposta. Ele deve ter deixado a mãe louquinha e com uma cabeleira branca precoce. Agora, porém, ela deve estar super orgulhosa dele.
Tim teve uma idéia bacanérrima e acreditou nela. Ele levou mais de dez anos para desenvolver bolhas de sabão coloridas. Bolhas de sabão coloridas! Dez anos! Tudo isso só para deixar-nos, os adultos, tão felizes quanto as crianças. Sabe o porquê? Vou te contar:
Zubbles não mancham (roupa, móveis, paredes, chão etc) quando explodem e não são tóxicas.
Tem coisa melhor do que diversão que não dá nenhum trabalho para limpar?


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

um quarto, dois quartos, três quartos....


Este assunto eu fui desenterrar do baú-e não foi por falta do que falar não. Faz tempo que não toco nele, mas como ele fica atrás da minha orelha como se fosse sujeira no dente que a gente não consegue tirar em jantar de grande gala (nem com fio dental), lá vou eu de novo bater nessa velha tecla.
Eu queria conhecer quem disse que quarto para bebês tem que ser branco. Deve ainda ter outra -ou quem sabe foi a mesma- pessoa que instituiu que o shabby chic é o único estilo para decoração de quartos de pequenos. Pois acho um tédio o que vejo em lojas para quartos infantis: tudo branquinho, branquinho. No máximo um rosinha desmaiado ou azul bebê. Uma coisa hopitalar (que nem minimalista é porque tem sempre um ursinho ou bonequinha incrustado nos detalhes) com etiqueta de "é chic sim, a senhora pode levar sossegada".
Quem disse que bebês não gostam de cor? Bebês, saiba você, são fascinados por grandes contrastes. Vocês viram esses quartos? São reais, pertencem a alguma criança de verdade. Não são de revista.
Inspirou?


terça-feira, 27 de outubro de 2009

dando as costas para a tv

Achei que tinha acabado com o assunto televisão. Rá, eu nem imaginava o que vinha pela frente.
Saiu -finalmente, para meu alívio- um artigo no New York Times sobre o recall que a Disney está fazendo nos DVDs do Baby Einstein. Quem comprou os DVDs nos últimos 5 anos tem direito a ter seu dinheiro de volta. Deu para perceber que nunca gostei de Baby Einstein, não? Me deu uma vontade infantil de sair por aí dizendo "Eu te disse, não te disse? Eu te disse!", mas vou manter a compostura.
Para quem lê sem problemas as entrelinhas, isso quer dizer que a Disney admite publicamente que os DVDs não fazem nada para deixar seu bebê mais inteligente e não passam de uma babá eletrônica para deixar você em paz por algum tempo. Não se iluda em achar que a Disney teve uma epifania e resolveu fazer o que é certo. A única razão para eles estarem fazendo isso é a de evitar um processo legal gigantesco em suas costas. Foi parte do acordo para não irem parar nos tribunais americanos. Ou você acha mesmo que a Disney, que controla 90% do mercado de midia para bebês em um grosso de 200 milhões de dólares em produtos ao ano ia ser tão legal assim?

Gente, chega mais perto da tela do computador que eu vou contar um segredo para vocês....
Diz o ditado que se uma coisa é muito boa para ser verdade...é porque não é.
Imagine você: o sonho de qualquer pai e mãe é que sua cria torne-se o novo Stephen Hawking. Se for por algum meio que eles possam comprar e sem nenhum envolvimento deles próprios, melhor ainda! E daí que as pesquisas mostram que a TV é prejudicial para crianças menores de 2 anos (o problema só vai aparecer mais tarde, com déficit de atenção aos 7 anos) e a American Academy of Pediatrics recomenda que nenhuma criança seja exposta à telinha antes dessa mesma tenra idade?
A falta de interesse e envolvimento no desenvolvimento do sangue de seu próprio sangue pelos pais já foi levantada aqui no blog. Preciso me estender mais nesse assunto? Acho que não, ninguém deve me aguentar mais escrevendo sobre assunto...tô errada?
Groucho Marx disse uma vez: "I find television very educating. Every time somebody turns on the set, I go into the other room and read a book. (Eu acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém liga o aparelho, vou para outra sala ler um livro)". Da próxima vez que o controle remoto tentar seus dedinhos pense no Groucho, com bigodão, óculos, sombrancelha de taturana e charuto na boca falando isso para você.
Estava aqui pensando em como acabar este post, mas a frase que encerra a matéria do NY Times dita por Mr. Rideout resume com precisão meu pensamento: "To me, the most important thing is reminding parents that getting down on the floor to play with children is the most educational thing they can do" (Para mim a coisa mais importante é lembrar aos pais que brincar com as crianças é a coisa mais educativa que eles podem fazer).


domingo, 25 de outubro de 2009

fofices do design: flexibath



A empresa dinamarquesa A Real Cool World lançou a algum tempo atrás a banheira para bebês Flexibath. Como dá para ver, elas não poderiam ser mais compactas. A Flexibath tem um número sem fim de combinações de cores e não é feita com nenhum material quimico prejudicial aos nossos cotocos e a natureza como PVC ou BPA. O ralo muda de cor para avisar quando a água está na temperatura ideal para o banho e o fundo é antiderrapante.
Melhor ainda é imaginar como a Flexiabath pode ter vida longa depois de uns 8 meses de uso como banheirinha: porta brinquedo, porta revistas, cesto de roupas sujas, piscinha para bonecas, peixinhos e dinossauros (ei, quem sou eu para criticar??) e o que mais vier à cabeça.

sábado, 24 de outubro de 2009

kideos


Ahhhh, o Youtube me deu paz e sossego agora. Ele criou o Kideos-videos for kids, um portal só para crianças. Pode chamar todos os Smurfs da casa para sentar na frente da tela do computador, está tudo beeeem organizadinho por idade e por tema. Tem até videos em português!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

ainda sobre a telinha

Aconteceu em uma sexta feira depois de uma semana daquelas que não deu tempo nem de validar um pensamento, o que dirá ter mais do que 24 segundos para fazer xixi (considere que nós mulheres temos que, nesse espaço de tempo, abaixar tudo o que tem que ser abaixado, sentar no vaso, limparmo-nos, levantar e subir tudo o que tem que ser subido).
Sentei no bar do clube de frente para o campo de futebol, na vã esperança de uma tarde calma em que o máximo que faria seria olhar a grama artificial crescer.
Mas infelizmente a cachola não para nem por um segundo. Estava com as melhor das intenções, a de simplesmente vegetar por algumas horas. Não rolou.
Tudo começou quando comecei a rir sozinha sobre a história que uma mãe amiga me contou sobre como ela teve que fazer uma tabela de crescimento- daquelas que a gente põe na parede e vai marcando com caneta/lápis/batom/pincel a cada ano- igual à da filha para...a boneca dela. Daí para caraminholar sobre programas de tv violentos e como afetaram Fofoquinha e Matraca-Trica foi um pulo (don't even ask o que o caqui tem a ver com a lagartixa...cadeia do inconsciente tem dessas coisas).
A verdade é que agora eles acham que controlam o que querem ver. Já dividi com vocês a minha tristeza pelo abandono por completo por Fofoquinha e Matraca-Trica dos programas educativos aqui. Por mais de dois meses deixei a coisa rolar solta, achando natural mais essa novidade no desenvolvimento deles. Eles tinham livre escolha sobre os desenhos que queriam assistir. A preferência girava em torno dos programas com algum grau de violência: Pucca (que nada mais é do que um desenho de artes marciais para meninas), Combo Niños, Power Rangers e Dinossauro Rei. Tá certo; tinha Scooby Doo, Padrinhos Mágicos, KND e Tom&Jerry também.
Minha casa virou então um laboratório para pesquisas sobre comportamento infantil. Fofoquinha e Matraca-Trica, dois fofos porquinhos da índia. Nesse curto espaço de tempo assisti, ao vivo, o estrago que certos programas de TV podem fazer.
Como não conhecia esses desenhos, comecei a assistir com eles. Meus olhos começaram a ficar a cada noite mais arregalados de surpresa. Aprendi com isso a monitorar de perto ao quê as crianças são expostas. Siga meu conselho e faça isso você também.
Em menos de uma semana Fofoquinha e Matraca-Trica já estavam brincando de luta. Iáááááááááá! Em menos de 3 semanas socos, pontapés, tapas e muitos gritos de iááááááááá! viraram rotina (atenção aqui) durante os desenhos. Os dois levantavam do sofá na hora das lutas e imitavam os personagens. O resultado até então foi de muito choro e ferimentos leves. Por mais que eu explicasse que os personagens de desenho não sentem dor porque eles não existem (como assim não existem, mamãe?) e que violência não era admitida dentro (ou fora) de casa, os desenhos foram mais fortes. Não muito mais tarde veio a gota d'água: Fofoquinha soltou um iááááááá e um pontapé em Matraca-Trica que quase quebrou o nariz do moleque. Isso sem falar no meu sofá que ficou coberto de sangue por causa a veia estourada. Basta.
Com isso esse tipo de programa hoje está banido de casa. Olha que não foi fácil. Fiz um combinado-unilateral, bien sur-que para cada ato de violência deles, os dois passariam 3 semanas sem assistir os tais programas. Como o detox de Fofoquinha e Matraca-Trica demorou um tanto (incrivelmente eles voltaram ao normal), eles estão de castigo pelos próximos 2 anos, aproximadamente.

fofices do design: giulia big-giulia small rocking horse

Senhoras e senhores:
Tenho orgulho de apresentar o mais recente trabalho em design de ponta do grupo Pininfarina Research Centre. Design esse que surpassa qualquer projeto feito pela equipe Pininfarina para a Ferrari, Maserati e Alfa Romeo. Design esse que deixa a Ferrari Testarossa no chinelo.
Senhoras e senhores, aqui está sem mais delongas: o Giulia Big-Giulia Small Children's Rocking Horse. O primeiro cavalinho de balanço assinado de seu pitoco.
Desenvolvido para a companhia italiana Riva 1920, o cavalinho é feito de um só pedaço de cedro esculpido e não contém nenhuma cola, pintura ou acabamento tóxico.

domingo, 18 de outubro de 2009

curta: clássicos infantis

Deixei cair um pecinha atrás do sofá. Quando olho, não só acho a preciosa pecinha-que só porque era pequenina e eu precisava encaixar em outra maior, pela lei de Murphy, iria rolar para atrás de alguma coisa de difícil acesso- como também um ninho. Loiro. Pelo comprimento das madeixas poderia ser tanto de Fofoquinha como de Matraca-Trica.
Demorou, pensei comigo mesma. Quem não cortou o próprio cabelo quando era pequeno põe o dedo aqui! Tesouras são uma fonte de inúmeras tentações: roupas, brinquedos, livros e....cabelos. A volta da escola hoje iria ser bem interessante.
O detalhe é que isso aconteceu em uma casa em que a mamãe (eu) está a beira de uma doença psicológica grave em relação ao cabelo de suas crias. Cortados a perfeição por um cabelereiro de gente grande de super confiança (quem mais poderia fazer um moicano em Matraca-Trica que quando está sem gel parece um corte normal?) sob meu atento olhar e penteados a miúda, os dois são sempre motivo de elogios dos outros por causa de suas madeixas. Eu daria uma betazóide de primeira em Star Trek Next Generation.
Bom, Matraca-Trica está com a loirice intacta. Já Fofoquinha....
Achei, entre seus longos e repicados fios que ela tem a vã esperança de que um dia fiquem do mesmo comprimento do cabelo da Barbie Rapunzel-não basta só ser a Rapunzel, tem que ser a Barbie Rapunzel, um trecho que mais parece um eletroencefalogramo.
Como na vida tudo o que você disser pode e será usado contra você, quando perguntei o motivo de tal barbaridade capilar ela respondeu:
-Para meu cabelo crescer forte e bonito, mamãe! Empresta a tesoura de novo?

sábado, 10 de outubro de 2009

criando david bowie

O título do post não corresponde bem aos meus sentimentos. Pensando bem, Matraca-Trica está mais para Ziggy Stardust. Isso dito, quero dizer que estou adorando ter um menino em casa que não tem um pingo de receio em usar o corpo e a moda como forma de expressão. Sou uma grande defensora em deixar crianças se expressarem da maneira que quiserem sem se prenderem a nenhum estereótipo preconceituoso do mundo de gente grande, como vocês já leram nos posts "Boas e paetês, com muito makeup" e "Closets".
Entra em cena, no programa de férias, um monitor chamado Tio Bob. Depois de dois dias de programinha, estou ajudando Matraca-Trica a se vestir para sair e ele me pede para fazer o cabelo igual ao do Tio Bob. Gente, eu sou uma boa Edward Scissorhands mas não faço milagres. O apelido que as pessoas dão na padaria e na feira para Matraca-trica é "Alemão". Tio Bob, por sua vez, usa um black power descolado com as pontas juntas formando uma grande estrela ao redor de sua cabeça. Sacou? Fiz o que era humanamente possível e lá foi ele parecendo o Supla brincar no programa de férias. Todo orgulhoso em chegar para o Tio Bob e dizer que o cabelo deles estava i-gual-zi-nho.
Matraca-Trica não é nem um pouco tímido ao usar acessórios. Fomos brincar um dia na casa de um casal amigo. Alguns dias depois- acho que ele precisa de um tempinho para digerir o que vê- lá vem ele de novo: Mamãe, quero sair bonito. Faz meu moicano? Fui pegando o gel com a maior tranquilidade do mundo (pode faltar comida aqui em casa, mas tubo de gel nem pensar!) achando que o assunto estava encerrado alí mesmo. Ledo engano, depois do gel veio outra pergunta: Mamãe, menino usa anel? Isso vindo de uma criança que já estava com o cabelo todo para cima, colar, óculos escuros e batom da irmã. Respondi que sim e ele me pediu um emprestado. Dei. "Mamãe, posso usar o anel igual ao tio outro dia?", perguntou ele colocando o anel no dedão. Matraca-Trica-olhos-de-lince não perde um detalhe que ele possa incorporar mais tarde. Aonde será que o tio usava anel?
O moleque tem 4 anos e já é um fashion statement. Ele passa 5 minutos com a gaveta de meias aberta para escolher dois pés de meia de pares diferentes para calçar. Só porque ele achou bacana e diferente. E mostra para todos os amiguinhos, que daqui a pouco vão imitá-lo, assim como fizeram com o moicano (quando as mães colaboram, o que é raro).
A única coisa que me deixa mal humorada é quando gente grande vira para ele-depois de olhar a produção toda- e diz que meninos não usam certas coisas. Ô gente estraga-prazeres.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

fofices do design: kiddo cabana




-E no que posso ajudar a senhora hoje?
-Doutor, eu sou viciada. Sou viciada em casinhas para crianças. Tentei de tudo: florais, intervenções de parentes e amigos, tomei bola, fiz promessas públicas para leitores anônimos...até na Betty Ford já me internei. Acreditei sair de lá curada. Mas quando a tentação aparece na minha frente não consigo resistir. Olha bem essa casinha da Modern Cabana. Não tem como passar batido por ela. O senhor também não gostaria de ter tido uma dessas quando era pequeno? Com lousa e rolo de papel dentro, portinhas que não prendem os dedinhos e ainda por cima com acabamentos de óleo de árvores naturais? Olha só a mesinha que dobra, como é possível resistir? É por isso que estou aqui hoje, doutor. Acho que sou um caso incurável e preciso ser internada para sempre. Por favor me tranque em um quarto-ou melhor, em alguma casinha- e jogue a chave fora!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

R.I.P.

Familiares, amigos, educadores; estamos hoje aqui reunidos para celebrar a passagem dos nossos queridos Desenhos Animados Educativos para um lugar melhor. Um lugar cheio de luz, paz, personagens animados e...imaginário. Um lugar longe de nossos olhos. Tenho certeza que apesar de não os vermos mais, nunca deixarão nossas vidas- simplesmente existirão em nossa imaginação e em canais que agora passamos batido. Eles estarão em nossos corações para sempre, estrelinhas em um céu de LCD.
O que posso dizer dos Desenhos Animados Educativos? Por onde começar a descrever o que nós, pais, sentimos quando nossos filhos perdem o interesse por programas legais? Tenho um nó na garganta, não acredito conseguir terminar a frase.
Um minuto para me recompor, por favor...

Enxugadas as lágrimas no canto dos olhos, só posso dizer o quanto vou sentir falta de vocês. Vocês foram uma presença constante na rotina de Fofoquinha e Matraca-trica por anos. As crianças interagiam com vocês com alegria nos olhos, dedinhos famintos por apontar para vocês e se comunicavam com monosílabas que só a tela de TV poderia entender. Matraca-Trica e Fofoquinha respondiam perguntas que vocês nunca ouviriam, comparavam suas próprias experiências com as que vocês nos mostravam. Vocês, sempre tão gentis, nunca nos deixaram na mão. Bom, a não ser no final de semana quando a programação muda.
Ahh, Desenhos Animados Educativos, agora minhas crias só querem assistir aquela gama de outros desenhos para crianças maiores que não acrescentam nada em suas vidas. Quando pergunto se eles se lembram de vocês, a resposta é "como eles eram mesmo?". Fofoquinha e Matraca-Trica chegaram naquele estágio pouco relevante em suas cacholinhas em formação: o da vegetação em frente a uma TV. Ó tristeza. Minh'alma pesa com a perda dos Desenhos Animados Educativos.
Queria pedir agora um minuto de silêncio em honra a tão notáveis programas. Tenho certeza de que aonde eles estão agora, haverá sempre uma criança com sorriso nos lábios, feliz em assistí-los.
Obrigada.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

fofices do design: robot clocks





DANGER, Will Robinson! DANGER! DANGER!
Esses relógios robôs são extra fofos! Eles vieram para nos mostrar o tempo! Eles vão nos dizer o quanto estamos atrasados!
Eles desembarcaram aos montes na Perpetual Kid. Eles vão invadir nossos quartos, salas e imaginação! PERIGO! PERIGO!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

essa vai dar pano para a manga: a manga extra


Alguns pensamentos precisam, assim como um bom vinho ou queijo, de certo tempo para amadurecer. Demorei mas costurei a última manga sobre a matéria do Fabio Santos para o jornal Destak. O pano deu certinho, não sobrou um retalho para contar história. Se você chegou agora e não entendeu patavinas saiba que as mangas esquerda e direita estão, respectivamente, aqui e aqui.
Essa manga extra é aquele acidente fashion que pode dar muito errado ou se tornar o must have da estação. Eu tenho pensamentos contraditórios (assim como de qualquer coisa de gosto duvidoso) sobre o que o Fabio escreveu:
"Até parece que eles (os pais) se consideram realmente capazes de conter seus rebentos. Nem os genitores mais conscienciosos, com filhos bem comportados, podem garantir que não haverá gritarias e escândalos. Estamos falando de crianças, que, por natureza, são imprevisíveis....De férias, o casal parece transferir aos outros a obrigação de ter paciência com os humores e travessuras de seus pimpolhos. O mesmo costuma acontecer em restaurantes e outros lugares públicos."
Por mais que me doa escrever, eu tenho que dizer que em um pequeno grau o Fabio tem um tiquinho de razão (para quem não percebeu isso sou eu dando o braço a torcer sem perder a dignidade). As crianças hoje em dia levam uma vida independente dos pais. Passam o dia nas escolas ou com pajens. Atenção para o que vou dizer agora: NENHUM dos dois tem obrigação de educar crianças. A escola ensina. E só. A pajem é uma pessoa que existe para ajudar com coisas práticas.
Com isso os pais não tem a menor experiência no dia-a-dia de seus filhos. Para finais de semana existem folguistas, assim eles não precisam nem saber como trocar uma fralda ou passar a noite em claro acalmando o sangue de seu sangue. O pouco tempo que passam com as crianças é sempre assistido. A consequência disso é ululante: os pais não sabem o que fazer nem tão pouco como lidar com seus filhos naquele dia em que a pajem deu o cano. É muito mais fácil transferir a responsabilidade de seus filhos (que não estão sendo educados por ninguém e se comportam como tal) para terceiros, mesmo que completamente estranhos. Além do mais, tomar conta de crianças é exaustivo. Se você não está acostumado a essa tarefa imagine como seria tentar correr a maratona de New York sem ter treinado um dia sequer. Por mais boa vontade que se tenha, não dá para passar dos primeiros 400 metros.
Isso dito, existem os outros tipos de pais. Aqueles que estão ensinando os filhos a se comportarem em sociedade. Todos nós pagamos o preço por isso, querido Fabio. Quando você assinou o contrato para nascer, estava escrito preto no branco que terias que aprender a se comportar entre outros seres humanos porque é assim que essa espécie existe. Em sociedade. Você assinou um contrato para ser gente, não um peixe Betta macho em um potinho d'água. O preço é bem menos salgado do que o final de semana em um resort. Basta você olhar com os olhos de quem entende- e respeita- para aonde caminha a humanidade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ahhh, a tentação!


Oh, The Temptation from Steve V on Vimeo.

Uma criança. Uma mesa e uma cadeira. Um marshmallow.
A opção de poder comer o marshmallow na hora ou esperar até a moça voltar e ganhar outro além do que está na mesa.
As expressões dessas crianças me fizeram rir a tarde inteira.

fofices do design: kobi

Era de se esperar que o designer David Kho não fosse ficar muito tempo parado depois de criar o cadeirão Fresco e a cadeirinha Coco para a marca Bloom.
O mais novo projeto solo desse holandês baseado na Espanha é uma linha de carrinhos para bebê. Para isso ele criou uma companhia e a batizou de Mima.
Como David não é pouca porcaria ele já ganhou, com a linha Kobi, o prêmio inovação da feira mais importante de design infantil, a kids+Jugend, em Colonia. Não é difícil ver o porque: o Kobi expande com sua família: um carrinho só para o bebê que mais tarde cresce e ganha um irmão ou irmã. Esse segundo bebê também cresce, mas o carrinho....continua o mesmo.
O único problema com o Kobi é ter que esperar até Julho de 2010 para comprar um!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

apresentando: hora extra


Tá pensando o quê, que entre taaantas coisas que a gente faz durante o dia a gente não trabalha?
Pois saiba você que muitas de nós trabalhamos SIM! Todas nós acreditamos em um sonho e em um futuro melhor para nossas crias. Uma mãe lava a outra (hahaha, juro de pé junto que foi um erro de tipografia. infelizmente para vocês eu achei o trocadilho tão que infame o torna irresistível) e nos ajudamos como podemos.
Pensando nisso criei um novo marcador: a hora extra. Muitas mães fazem trabalhos legais enquanto os filhos estão na escola, casa da vovó ou dormindo. Por que não dividir com os outros? A gente nunca sabe , não é?
Você quer ver o fruto de seu suor aqui? Me mande um comentário/email e vamos conversar! Já adianto uma coisa: só escrevo sobre coisas que acredito e gosto, portanto não me venham falar sobre um sabonete líquido que você está fazendo cujo um dos componentes é óleo mineral, tá?
Espero poder ajudar com esse novo marcador, afinal, nós merecemos!

hora extra: safe sippy

Imagina bem a cara da vendedora de uma loja qualquer quando você, com uma garrafinha de aço inox que estava na prateleira na mão, pergunta:
-Essa garrafina não contém Bisfenol-A, certo?
-Bisf...desculpe, não temos essa cor, senhora.

Para bom entendedor do bem estar no novo mundo preocupado com um futuro correto e seguro, a palavra Bisfenol-A é bastante conhecida: é um dos componentes do plástico que é cancerigena e solta resíduos para o líquido que está contendo. Já falei sobre o assunto aqui e aqui.
Uma mãe preocupada com o assunto trouxe para o Brasil a Safe Sippy, que além de ser de aço inox tem o corpo coberto por uma capa de silicone anatômica (ótimo para que as garrafas não amassem nas quedas). As partes feitas de plástico são livres de Bisfenol-A e outros componentes nocivos-tem mais dois com nominhos complicados, sabia? O canudinho funciona que é uma beleza e a temperatura do líquido é mantida por muito mais tempo quando a gente está fazendo um passeio no zoológico em uma tarde de verão.
A Safe Sippy já está a venda na BestBaby em São Paulo e na 9MESES em Porto Alegre. As meninas dessas lojas com certeza conhecem as vantagens da Safe Sippy. Você mora em Salvador? Não tem problema, basta ir no blog da Erika e fazer o pedido que ela te manda.

domingo, 20 de setembro de 2009

curta: lenda urbana?

Me contaram o causo por agora. A pessoa jura de pé junto que estava presente, foi uma testemunha ocular. Para mim, essa é boa demais para não ser lenda urbana. Se não for, espero sinceramente que vire uma!

Em uma fila de caixa em um supermercado, uma senhora com carrinho e uma mãe com um filho de mais ou menos 10 anos atrás. No caixa ao lado, a pessoa que me contou a história.
Diz ele que o menino ficava batendo com o carrinho nas pernas e costas da senhora e que a mãe nada fazia para repreender o moleque.
A certo ponto, conta ele com ganas de ir lá e fazer o menino parar (não entendi porque não foi), a senhora vira para o menino e pede:
-Você poderia parar, por favor? Está me machucando.
A mãe do menino responde por ele:
-A senhora me desculpe mas em casa não o proibimos de fazer nada.
No caixa do lado oposto a que isso acontecia, um senhor ouve e sem perder tempo pega uma embalagem de ketchup, anda em direção a mãe, abre a embalagem e vira na cabeça dela dizendo:
-A senhora me desculpe, mas minha mãe nunca me proibiu de fazer nada em casa também.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

curta: maria imaculada



É muito fácil acabar com a imagem de mãe-toda-poderosa-imaculada-filha-de-maria. Nem tinha idéia de como nossa reputação era frágil. Era (assim no passado mesmo), por que a minha já foi ralo abaixo no esgoto da dignidade humana.
Lá vou eu me humilhar mais uma vez contando a vocês o que se passa entre as quatro paredes da minha vida (nada) privada (a essa altura do campeonato):

Era hora de dormir. Estava eu no quarto das crias acabando de ler um livro para eles e dando um beijinho de boa noite quando ouvimos um barulhinho. Daqueles desagradáveis. Daqueles que a gente sabe bem qual é e daonde veio. Imaginem se Fofoquinha e Matraca-Trica iam deixar passar batido:
-Mamãe, a Fofoquinha soltou um pum.
-Não fui eu não. Eu não soltei pum nenhum, mamãe. Foi Matraca-Trica.
-Não fui não. A Fofoquinha está dizendo que fui eu mas não foi. Eu não soltei pum!
-Mamãe, ele está mentindo! Eu não soltei pum, então só pode ter sido ele!
-Gente- confesso eu,... aliás confesso também que ia fazer cara de paisagem como manda a boa educação, mas minha tentativa foi frustrada tamanho o rebuliço ao redor do fato- que soltou pum fui eu.

Pois é, senhoras e senhores. Eu solto pum. A cara deles- olhos esbugalhados, um esboço de sorriso no canto da boca e um ponto de interrogação E-NOR-ME piscando em mil cores de neon no lugar do terceiro olho- mediante essa confissão veio acompanhada da seguinte frase de Matraca-Trica que falou pelos dois, na verdade:

-Mas...mamãe....as mamães soltam pum?!




terça-feira, 15 de setembro de 2009

fofices do design: napnanny

A 7 anos atrás, o Napnanny era tudo o que eu queria na vida. Daria meu fígado -com prazer e sem anestesia- por um deles. Minhas duas crias sofreram de montão nos primeiros meses de vida: Fofoquinha por refluxo e Matraca-Trica com cólica. Quem sofreu mais, no final das contas, fui eu.
O Napnanny é um híbrido de colchão, car seat e cobertorzinho para bebê. Foi criado para fazer o começo de vida mais fácil e menos dolorido para aqueles bebês que tem refluxo, cólica ou nariz entupido por causa de um resfriado.
As mães que passam noites sem dormir agradecem de coração.

sábado, 12 de setembro de 2009

hay que sufrir pero sin perder el hairstyle jamás!

Hoje fez um dia lindo: muito sol, céu azul de pré primavera, passarinhos gorgeando e só algumas nuvens no céu. Fomos para o clube e lá pelo meio dia Matraca-Trica e Fofoquinha desfilaram de sorriso aberto na comemoração do aniversário do dito cujo.
Parou.
Essa coisa toda está deveras sutil e por demais floreada: estava era um calor senegalês mesmo, sol de caatinga, uma secura na garganta que só. Meu lugar era na piscina. Mas não, eu fui pagar mico como de costume. Desfile de aniversário do clube?! Vamos combinar que ir tomar vacina antitetânica na barriga seria menos doloroso. Acontece que para meu azar contaram para Fofoquinha e Matraca-Trica que na concentração da ala das crianças ia ter o show do High School Musical (cover, of course), pipoca e algodão doce. Os dois só falaram nisso a semana toda. Não tive escolha. Todo mundo acordou cedo e em tempo recorde estávamos prontos. Matraca-Trica, vaidoso que só quis passar gel no cabelo e armar o moicano para ocasião tão importante: seu primeiro desfile na vida.
Corta.
Conversa no carro:
-Mamãe, gel sai com o sol?
-Não, só sai com água.-respondo.
-Mamãe, tem certeza que não derrete?
-Tenho. Só sai com água.
Corta.
Deixei os dois na concentração (depois de passar protetor solar em suas bochechas rosadas) e fui achar meu lugar na muvuca da arquibancada. O desfile aconteceu na pista de atletismo, com volta olímpica de todas as modalidades esportivas e recreativas. As crianças, umas duzentas, foram as primeiras a chegar e entraram pelo fundo da pista. Tudo muito bonitinho, um mar de camisetas e bonés brancos-o uniforme obrigatório do dia. Então meu olho de lince bate em uma única cabecinha lá no horizonte, sem boné, brilhando em baixo daquele sol de rachar coquinho.
Eu deveria ter imaginado.



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

mea culpa

-Mamãe, estou com frio. Muito frio.
Fofoquinha acabou de chegar da escola e está realmente com uma cara meio caidinha. Frio com esse calor, penso eu...hummm, melhor pegar o termômetro. Bingo, Fofoquinha está com febre. E dor de garganta. Pegou de Matraca-Trica, que semana passada também apresentou os mesmos sintomas e foi hoje para a escola pela primeira vez em uma semana. Lá vou para o segundo round, como era de se esperar. Dou os remédios e atenção extra para a enferma e depois do jantar coloco um cobertor bem macio e quentinho nela para que ela possa assistir um pouquinho de TV.
Matraca-Trica que até então havia ficado quietinho no canto dele vira para mim e diz: "Mamãe, estou com muito, muito frio." Caso típico de ciúmes para o qual o melhor remédio é outro cobertor igual ao da irmã, imagino eu. Afinal, ele estava prá lá de recuperado da semana anterior.
Bem mais tarde, já deitados na cama e antes de apagar as luzes, Matraca-Trica continua a ladainha:"Mamãe, estou com frio." Já que estava tirando a temperatura de Fofoquinha para ver se a febre baixara um pouco, brinquei "Vou tirar sua temperatura também, vamos ver se o príncipe está dodói". E não é que o moleque estava com 39,8°C ? Matraca-Trica estava com febre esse tempo todo e eu não percebi.

A mãe de do Pepe Legal estava me contando um dia desses que quando ele tinha uns 3 anos ele bateu a cabeça quando caiu para trás da escada na frente do prédio. Ela colocou gelo, deu muitos beijinhos e foi cuidar do jantar. No dia seguinte Pepe Legal continuou a agir como qualquer outro menino da idade- correndo, pulando no sofá, andando de bicicleta- mas sempre se queixando de um pouco de dor na cabeça. Normal para quem caiu do jeito que ele caiu, pensou a mãe. No dia seguinte a dorzinha não passou e ela achou melhor levar ao médico para ver se não era sinusite, afinal ele estava com coriza. Somente para descobrir que Pepe Legal estava com o crânio rachado. A dois dias.

Vou te contar, esse tipo de coisa acaba com o espírito esportivo de qualquer mãe. Acaba com o dia da gente. Como assim nossa cria está _______ (preencha aqui com o problema da hora: a doença, deprimido, triste, com problemas na escola, com a cabeça/dedo do pé/nariz quebrados, alergia, etc)_______e a gente não percebeu na hora???? Que raio de mãe somos????! Merecíamos ter a licença revogada. Ora veja se pode uma coisa dessas!

Mães são movidas a culpa. Esse é ingrediente principal de uma receita simples que nos torna o que somos. Sem esse tipo de combustível para alimentar nossas almas não seríamos capazes de levantar da cama de manhã. As espécies de culpa são tantas quantos os pernilongos depois de uma chuva de verão. Também não deixam gente dormir a noite. Nesse caso, estou falando da culpa pela ignorância e falta de atenção. Como poderíamos saber absolutamente tudo o que há para se saber sobre medicina pediátrica? Além de gripe e resfriado, você sabe diagnosticar com 100% de certeza qualquer outra coisa? E olha que mesmo assim 93% das mães vai ligar- a qualquer hora do dia ou da noite- para o pediatra só para ter certeza que se trata de uma coriza passageira.
Se a gente pensar bem, não há chance nessa vida (e nem em outras, francamente) de nos tornarmos Wikipedias de salto alto. Ou de rasteirinha. Ou tênis. Ou sapatilha. Ou botas. Aliás, de sapato nenhum, e muito menos descalças. Com calças. Ou de saia. Deu para entender aonde quero chegar, certo? Não saberemos jamais tudo sobre odontologia, medicina, nem psicologia ou sequer sobre como ajudar as crias com a lição de casa em um exercício sobre a tabela periódica. Ou você vai me dizer que lembra quais são os lantanídios?
Só nos resta confiar no instinto-que, como dá para ver, falha que é uma beleza!-e na certeza de que nós vamos errar. A coisa funciona mais ou menos assim: se a gente fez, não deveria ter feito. Se a gente não fez, deveria ter feito. No fim estão todos saudáveis e felizes, procurando umas canetinhas para fazer alguns desenhos na parede da sala. E nós, colecionando cabelos brancos precocemente.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

aviso

Vocês sabem o que acontece com o bloguinho quando Matraca-Trica e Fofoquinha ficam doentes ao mesmo tempo?
NADA.
Mil desculpas a todos, assim que tiver 4 horas de sono seguidas, eu volto. Tenho muita coisa para escrever, só preciso do Tico e do Teco a todo vapor.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

fofices do design: concord




Esse vai ser um post "baciada": pensei que tinha achado um produto bacana para mostrar a vocês e quando fui ver, por trás dele tinha mais coisa legal. Dois pelo post de um. Se você quiser ler mais, faço um desconto caprichado.
Achei primeiro esse cadeirão em um blog amigo. Quando fui fazer a pesquisa no website da companhia, a Concord, percebi que essa marca alemã tem outros produtos legais.
Achei esse cadeirão ótimo para quem tem espaço limitado ( e quem não tem???). Além de ser bonito, é prático, fácil de operar e muito, muito portátil. Esconder esse bichinho dos nossos pobres olhos nús é sopa....não que a gente queira parar de olhar para ele, tão bonitico que é.
O que me encantou no site da Concord, na verdade, foi o car seat Transformer. Ele ganhou nota 2 no Eurotest 2009, fazendo dele o melhor car seat europeu. O Transformer foi criado para crianças de 3 a 12 anos. A carapaça externa (lembra um tatu, não lembra?) protege todo o corpo da criança em caso de impacto e as funções são acessiveis por toque de botões-nada de ficar no estica, puxa e trava manualmente.
Esse sim é um tipo de investimento que vale a pena fazer. Concord?*

*ai, essa foi péssima. mas difícil de resistir....

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

sobre reciclagem


Nem pude comemorar a volta as aulas e minha alforria como eu queria. Com tanta coisa a fazer, uma arrumação nos brinquedos era mais do que necessária e comecei por ela. Por acaso alguém tem um armazém para guardar todos os trabalhos (de arte) que vem da escola ou vocês fazem como eu que salvo alguns e o resto vai contribuir para o enchimento dos aterros de lixo?
Joguei muita coisa fora: peças de jogo que já não existem, brinquedos quebrados que não servem para ser doados, pedrinhas catadas no parquinho, pedaços quebrados de plástico colorido que nem imagino daonde vieram ou para que serviam, uma pena de passarinho, barbantes aleatórios, contas de colar perdidas e muita "arte" feita de recilcados. As garrafas PET são as grandes estrelas dessa categoria: vasos de plantas, porta-trecos, retratos ou canetas, bonecos, porta barquinho-no-mar e o que mais a imaginação fértil das tias puder inventar. Como Fofoquinha e Matraca-Trica são dois, vem tudo em dose dupla.
Nem dois dias depois de casa cheirando a limpa e razoavelmente organizada vem a nota da escola: "Por favor enviar duas garrafas PET de 2 litros".
Tias, vamos combinar uma coisa? Eu entendo que a intenção de vocês é a mais pura d'alma para ensinar as crianças do século XXI a reciclar e ajudar o mundinho a ser mais feliz para eles mesmos poderm desfrutar quando vocês estiverem embaixo de sete palmos de terra. Acho louvável e uma obrigação. Mas existe BOA reciclagem e reciclagem INÚTIL. A BOA reciclagem é quando você reusa algum elemento para criar e construir outra coisa que tem uso ou vai ser preservada ad eternum. Por mais que ame minhas crias, os trabalhinhos deles nem sempre correspondem a espectativa. Raras são as peças que vão ficar expostas na sala de estar tempo suficiente para Matraca-Trica e Fofoquinha mo-rre-rem de vergonha por ser meus filhos quando trouxerem os namorados para casa. Isso faz dessa arte toda reciclagem INÚTIL, não é?
É uma questão de menos de um ano para todas essas garrafas PET em versão carro-alegórico-em-desfile-do-grupo-4-de-escolas-de-samba-no-interior-de-São-Paulo (nenhuma delas tem catiguria para encarar uma qualificação melhor) acabarem no mesmo lugar que todas as outras: no aterro. Reciclou-se alguma coisa quando o fim é o mesmo? Pense bem.
Esses bilhetes criam um segundo problema em casa além de testar minha paciência:eu considero nosso lar um passo a frente no pensamento "vamos reciclar" e prefiro eliminar o problema do que lidar com a sobra: o plástico aqui está quase eliminado. Além disso, não se bebe refrigerante em casa. Descolar essas garrafas são um gasto de energia e tempo que não valem a comida que o tatu bolinha come (assumo que todo mundo saiba do que tatu bolinha se alimenta...)
Tias (eu sei que quem vocês são e aonde moram!), ao invés de ensinar as crianças a fazer reciclagem INÚTIL, por que não ensiná-las a eliminar os elementos poluentes de suas vidas para sempre? Se ninguém mais comprar plástico (por exemplo), não vai haver mais produção. Se não houver produção, não vai haver sobra. Se não houver sobra, minha sala de estar não vai ter mais um vasinho de PET sequer para arruinar a decoração.

fofices do design: tent-sofa

Philippe Malouin é um desigenr canadense que mora em Londres e criou esse sofa para a companhia italiana Campeggi. A inspiração veio das tendas militares. Divertido, não?
Essa é uma solução bacana para o amiguinho que vem dormir em casa ou para simplesmente brincar e variar o lugar aonde dormir.
Assistindo o vídeo no site de Philippe sobre o Tent -Sofa, a única coisa que não fica clara é como a tenda fica segura quando armada-não se vê a demosntradora fechando nenhum velcro, mas pode ser só por efeito de demonstração.
Só não vale ter toque de alvorecer as 6 da manhã no ouvido dos pais!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

essa vai dar pano para a manga: a manga direita

Se você chegou agora, saiba que este é o segundo post sobre um texto entitulado "Sem crianças, por favor" do Fabio Santos no jornal Destak. Para ler a matéria na íntegra, é preciso navegar até ela-coisinha meio chata, mas não tem outro jeito. As instruções para fazer isso estão no primeiro post: essa vai dar pano para a manga: a manga esquerda.
Resumindo um pouco o texto, o Fabio descreve como crianças em público são inapropriadas para quem ainda não os tem (e) que trabalham, como por exemplo em pousadas paradisíacas com ar de honeymoon no meio de quilômetros de areia e coqueiros, aviões e almoços de negócios em restaurantes-enfim, basta ser um lugar público. Fala também sobre como os pais transferem a responsabilidade de controlá-las aos outros-eles que não tem filhos. Como está sobrando pano, esse vai ser tópico para uma terceira manga, a extra. Nossa, como estou me divertindo com o texto do Fabio! Para não confundir alhos com bugalhos, a manga direita vai se deter na primeira parte do texto.
Eu já fui o Fabio. E teria escrito as mesmas coisas que ele-e até um pouco mais, conhecendo meu humor. Eu nunca gostei de crianças e francamente não dava a mínima para elas. Por alguns (muitos) meses, só gostei de Fofoquinha, depois que ela nasceu, porque era minha.
Quer saber? Criança é inapropriada mesmo. Eu fui uma, lembro bem que peste sem classificação eu era. Minha mãe até rogou praga: "Você vai ver, seus filhos vão ser piores do que você foi!". Praga de mãe pega. Matraca-Trica e Fofoquinha são inconvenientes, inapropriados, cansativos, imprevisíveis e barulhentos. Resumindo, são crianças normais. Se não fossem assim eu ia achar que tinha alguma coisa muito errada com elas.
Eu desculpo o texto do Fabio. Já me desculpei também. Ele não é pai, não foi iniciado nessa grande maçonaria que chamo de "o lado de cá". Tudo o que o Fabio quer é curtir o mundo na santa paz e sossego em um mundo acima dos 18 anos. Pensando bem acho que não existe um ser adulto que não queira isso.
Logo no segundo parágrafo,, numa tentativa mixa de salvar a própria pele de leitores que são pais e com certeza mandariam emails de baixo calão, ele escreve: "Não que eu não goste de crianças. Gosto sim, e muito. Tanto que eu e minha mulher estamos em campanha pelo primeiro filho. Mas há lugares e circunstâncias em que crianças são, digamos assim, inapropriadas." Humm, se a linha de pensamento é essa, me dou o direito* de estender a frase dele para "...e circunstâncias em que crianças, cachorros, idosos, chatos, gente que está perpetuamente no celular (e pior ainda, falando alto), quem dirige mal, ri muito alto, usa perfume demais, tem mau hálito, é cafona (por que eu tenho que olhar coisa feia??) ou tem cérebro de galinha são, digamos assim, inapropriados". A lista é bem maior do que esta, infelizmente tive que resumir minha birra com a humanidade em poucas palavras.
Como o Fabio ainda não é pai-queria ser uma mosquinha para contar a todos vocês o dia em que ele estiver sem pajem e tiver que levar a futura cria no banco, na farmácia e no restaurante-ele nem imagina que a gente muitas vezes não tem escolha. Ou leva ou leva. Ele não sabe que as crianças aprendem por observação e vivência. Se nunca forem a restaurantes e viajarem de avião, nunca vão saber se comportar nessas situações. Ele não sabe sobre o grande segredo de "o lado de cá": a paciência divina e (quase quase) ilimitada. Ele provavelmente não lembra da própria infância: imagina se ele tivesse ficado dentro de uma bolha sem sair de casa (a não ser para ir ao playground e escola) até criar espinhas na cara. Acho que ele não teria gostado muito, teria? Saberia ele se comportar em sociedade?
Lugar público é...preciso mesmo explicar? Talvez sim, uma vez que o Fabio termina o texto dele assim: "...se seu objetivo for paz e tranquilidade, melhor se manter distante de qualquer lugar com playgrounds. O contrário também deveria valer. Se não tem parquinho, mantenha as crianças longe."...ou será que deixo ele descobrir por sí só?

* Me dou o direito de seguir sua linha de pensamento. Só isso, pois aprendi como agir em situações como estas quando elas se apresentam: "os incomodados que se mudem" é um moto simples a ser seguido e eu faço grande uso dele.