quarta-feira, 19 de agosto de 2009

sobre reciclagem


Nem pude comemorar a volta as aulas e minha alforria como eu queria. Com tanta coisa a fazer, uma arrumação nos brinquedos era mais do que necessária e comecei por ela. Por acaso alguém tem um armazém para guardar todos os trabalhos (de arte) que vem da escola ou vocês fazem como eu que salvo alguns e o resto vai contribuir para o enchimento dos aterros de lixo?
Joguei muita coisa fora: peças de jogo que já não existem, brinquedos quebrados que não servem para ser doados, pedrinhas catadas no parquinho, pedaços quebrados de plástico colorido que nem imagino daonde vieram ou para que serviam, uma pena de passarinho, barbantes aleatórios, contas de colar perdidas e muita "arte" feita de recilcados. As garrafas PET são as grandes estrelas dessa categoria: vasos de plantas, porta-trecos, retratos ou canetas, bonecos, porta barquinho-no-mar e o que mais a imaginação fértil das tias puder inventar. Como Fofoquinha e Matraca-Trica são dois, vem tudo em dose dupla.
Nem dois dias depois de casa cheirando a limpa e razoavelmente organizada vem a nota da escola: "Por favor enviar duas garrafas PET de 2 litros".
Tias, vamos combinar uma coisa? Eu entendo que a intenção de vocês é a mais pura d'alma para ensinar as crianças do século XXI a reciclar e ajudar o mundinho a ser mais feliz para eles mesmos poderm desfrutar quando vocês estiverem embaixo de sete palmos de terra. Acho louvável e uma obrigação. Mas existe BOA reciclagem e reciclagem INÚTIL. A BOA reciclagem é quando você reusa algum elemento para criar e construir outra coisa que tem uso ou vai ser preservada ad eternum. Por mais que ame minhas crias, os trabalhinhos deles nem sempre correspondem a espectativa. Raras são as peças que vão ficar expostas na sala de estar tempo suficiente para Matraca-Trica e Fofoquinha mo-rre-rem de vergonha por ser meus filhos quando trouxerem os namorados para casa. Isso faz dessa arte toda reciclagem INÚTIL, não é?
É uma questão de menos de um ano para todas essas garrafas PET em versão carro-alegórico-em-desfile-do-grupo-4-de-escolas-de-samba-no-interior-de-São-Paulo (nenhuma delas tem catiguria para encarar uma qualificação melhor) acabarem no mesmo lugar que todas as outras: no aterro. Reciclou-se alguma coisa quando o fim é o mesmo? Pense bem.
Esses bilhetes criam um segundo problema em casa além de testar minha paciência:eu considero nosso lar um passo a frente no pensamento "vamos reciclar" e prefiro eliminar o problema do que lidar com a sobra: o plástico aqui está quase eliminado. Além disso, não se bebe refrigerante em casa. Descolar essas garrafas são um gasto de energia e tempo que não valem a comida que o tatu bolinha come (assumo que todo mundo saiba do que tatu bolinha se alimenta...)
Tias (eu sei que quem vocês são e aonde moram!), ao invés de ensinar as crianças a fazer reciclagem INÚTIL, por que não ensiná-las a eliminar os elementos poluentes de suas vidas para sempre? Se ninguém mais comprar plástico (por exemplo), não vai haver mais produção. Se não houver produção, não vai haver sobra. Se não houver sobra, minha sala de estar não vai ter mais um vasinho de PET sequer para arruinar a decoração.

Um comentário:

castrinibr disse...

Agora você imagina o meu filho Théo, que tem 10 anos e uma mente criativa maior do qua as das Tias da escola. Todas as embalagens podem virar algum objeto inportante: robôs, naves espaciais etc. E tudo colado com um monte de fita adesiva, grampo, cola...Chegou a um ponto que o quarto da área de serviço tinha uma sacola enooorme com potes, potinhos e garrafões. A gente mal entrava.
Dei um basta, mandei tudo para a recliclagem. Será que podei um gênio?
Mas ainda guardo muitos trabalhos de arte. Um dia vou conseguir praticar o desapego!
Bjcas Claudia