quinta-feira, 5 de agosto de 2010

reciclagem, ou a falta dela, na escola


A gota d'água aconteceu meses atrás. Eu já tinha vontade de escrever sobre o assunto muito antes, lá em fevereiro. Passou o tempo e ele voltou para me beliscar o bumbum em um sonho -como se eu não tivesse motivo melhor para gastar com meu inconsciente.
Fica aqui registrado, portanto, meu protesto contra escolas e editoras de livros escolares. Com o ingresso de Fofoquinha no ensino fundamental vieram muitas novidades para mim, entre elas a compra de material didático. Livros de $50, $80 reais. Livros onde os exercícios são feitos diretamente em suas páginas, inutilizando-os permanentemente para o uso de outras crianças. Deu para sentir onde estou indo?
Acho irresponsável qualquer escola, em tempos de hoje, em tempos de economia- financeira e de recursos- de fazer esse tipo de escolha e/ou aceitar imposições das editoras. São livros extremamente caros que irão para a lata de lixo reciclável no final do ano. A tal da gota d'água foi um livro de leitura que Fofoquinha trouxe para casa todo colorido com marca texto. POR QUE??? 
Não me espanta constatar que a falta de consciência começa dentro da sala de aula, com os professores. As pessoas a quem confiamos a educação de nossos filhos, vejam vocês. Os mesmos professores que acham que estão ensinando as crianças a reciclar fazendo projetos e mais projetos com garrafas PET que vão acabar no mesmo lugar em que as que não foram recicladas: no lixo. Já escrevi sobre isso aqui.
O mundo só gira e muda com pressão. Se as escolas não pressionarem as editoras com boicote de pedido de livros, as editoras não vão mover um dedo para achar soluções mais condizentes com nossos dias contemporâneos pois não é do interesse delas. Se nós, pais, não começarmos a pressionar os professores, seus olhos continuarão voltados para outro lado. Se eu não levantar a questão com vocês, vou continuar sonhando com minha revolta e com o prospecto de um futuro onde o mundo é muito melhor.
E tenho dito.




4 comentários:

Carol P disse...

EM livro nao se deve escrever, odiava pegar livro na biblioteca riscado. E livro de exercicios escrever com lapis que pode apagar e passar adiante.

flavia fiorillo disse...

Carol,
Não dá p/ fazer a linha apagar, as professoras riscam em cima, colocam visto. Fofoquinha faz taaaanta pressão no lápis que quase fura a folha-coisa de quem está aprendendo a escrever-uma falta de respeito total. A criança a gente tem que perdoar e tentar ensinar, ela não sabe. As professoras, é OUTRA história. Agora, o livro de leitura todo rabiscado, FRANCAMENTE! Fiquei p***a da vida, para não falar coisa pior...

Kah disse...

Flávia, eu estudei em colégio particular e estadual, então em relação aos livros tive duas experiências beeeeem diferentes.

No particular os professores ganhavam comissão (isso mesmo!) das editoras para escolherem o livro delas. Acho que o correto seria: por livro que elas vendessem delas, né? Enfim... Então às vezes minha mãe precisava comprar dois, três, livros praticamente iguais, mas cada um para um trimestre. No final estavam todos rabiscados, as professoras mandavam fazer os exercícios neles.
Na pública (federal), os livros eram disponibilizados pelo governo, então além de serem doados, passavam de ano (achei estranha essa frase), e se os livros estivessem rabiscados perdíamos nota.

Em outra escola particular que estudei, a diretoria fazia um brechó de livros no início do ano, e quando o livro caia em desuso na escola, eles davam para os alunos ou reciclavam e faziam folhas "novas" para serem usados nas máquinas de cópia da escola.

Enfim, também acho um absurdo.
Beijão

Lily disse...

Concordo com tudo o que vc disse. Realmente é um absurdo nos tempos de hoje ainda acontecer isso. Na minha epoca de escola so escrevia de lapis nos livros e meus irmaos menores depois usavam o livro novamente. Prof escrever a caneta ja é demais!!