segunda-feira, 1 de junho de 2009

com a cabeça nas nuvens

Eu ADORO viajar-o ato de ir e vir. Gosto mesmo. Sempre gostei de avião, mesmo que no curral-nome carinhoso para aquela classe que não é Primeira nem Business. Não me importo com filas para check in nem esperar calmamente lendo meu livro para embarcar. Não ligo para a comida ruim, nem para o assento apertado, pela falta de posição para dormir ou para a condição prá lá de lamentável que ficam os banheiros depois de 2 horas de voo. 
Continuo adorando conhecer lugares novos, visitar os que já conheço. Começo a ter coceiras em lugares estranhos se fico muito tempo em um lugar só. Me disseram que tenho sangue de cachorro vira-lata correndo nas veias. 
Acontece que agora só quero viajar em teletransporter, mesmo assim com 0% chance de dar alguma coisa errada-porque mesmo capitão Picard de StarTrek Next Generation tinha seus dias difíceis com esses aparelhos volúveis ao bom humor humano. 
As últimas vezes que entrei em um avião notei como, para minha surpresa, estava apreensiva. Um frio na barriga e uma certa incerteza do que estava fazendo ali. Agora passo o tempo de taxeamento pensando em acidentes, remoendo minha própria mortalidade. Cortesia de Matraca-Trica e Fofoquinha. Depois que eles nasceram a minha existência, na minha (L)oca cabecinha, é vital e impressindível. Absolutamente NADA pode me acontecer, senão quem vai cuidar deles? Quem vai amá-los e cuidar de seu bem estar tão bem como só eu sei? Morrer, a essa altura do campeonato, com dois filhos, é inadmissível. Nem te conto como fico nervosa com qualquer turbulênciazinha. Passo mal-muita adrenalina em pouca corrente sanguínea em lugares confinados faz a gente quebrar as unhas apertando o braço do assento.
Vamos combinar que não podemos nos contaminar pelo medo da morte (muuuuito mais fácil escrever do que sentir) senão não viveremos nossas vidas. É fato que nossos filhos sobreviverão sem nossa presença. Mesmo que você resolva não caminhar em direção a luz e ficar por aqui arrastando correntes só para ver se seus filhos estão bem, não existe nadica de nada que você poderá fazer por eles.

                                           Para Mariana. 
Querida, essa passou perto. Muito perto.

2 comentários:

Fernando disse...

seus textos são ótimos. algumas das melhores crônicas sobre maternidade que eu já vi, parabéns ;)

mariana disse...

Minha querida. O vôo prometia ser a tranquilidade de sempre: champanhe, filminho, e a certeza daquelas horinhas em que você não está devendo nada a niguém - ai que luxo, mesmo com o desconforto.
Mas desta vez foi tudo muitíssimo diferente. Já na saída, aquele frio na espinha: "céus, que loucura, o que estou fazendo aqui? Os aviões caem!" Depois: "larga de ser louca, mulher. A vida tem que voltar ao normal!"
Aí é que está. Não volta mais. A idéia de não ver o pequeno macaquinho crescer, não estar perto para o que ele precisar, me enche de pavor.
Então está combinado: vou olhar muitas vezes antes de atravessar a rua, não vou voar de asa delta, e só vou viajar de avião com todos os amuletos encima.
Pois até que ele possa andar na vida com as suas próprias pernas, a minha missão neste mundo é a mais importante de todas.
Só pode ter sido por isso que eu não estava naquele avião ontem...
bjs
m