quarta-feira, 12 de maio de 2010

viver a vida


Fico tão realizada quando vejo uma matéria que traduz exatamente meus sentimentos que mal posso me conter. Como não pensei em fazer alguma coisa a respeito, ou simplesmente escrever sobre isso antes? 
Vou contar para vocês tin-tin por tin-tin do que estou falando. Tudo começou quando dei de cara com o Slow Family Living. Mal sabia eu que a coisa já tomou proporções de movimento. Que coisa boa.
O slow family living é um movimento que começou por dois motivos:um deles é a crise nos EUA. Como muitos adultos perderam emprego ou tiveram o olerite reduzido, começaram a passar mais tempo em casa, convivendo com os filhos. As atividades das crianças também foram cortadas, lá se foi a aula de violino, de futebol ou espanhol. A grana diminuiu, mas a qualidade de vida subiu, dizem os pais. O outro é a nossa ansiedade para que os filhos façam todas as atividades que existem no mundo, saibam sobre tudo e sejam mini Einsteins. O stress e ausência de ambas as partes no lar causa desunião entre os membros da família, que lá longe no futuro pode ter caráter definitivo.
Não é fácil a gente se controlar, eu mesma queria que Matraca-Trica fizesse 4 modalidades de esporte que notei uma inclinação, aula de inglês, espanhol e mandarim, aula de música e recreação. Recreação depois de tudo isso??? Tá louca, mulher? A intenção é das melhores, queria tudo isso não porque ele tem que se preparar para o futuro, mas porque meu papel como mãe é abrir o leque de opções para que Matraca-Trica tenha a chance de experimentar tudo na vida. Fofoquinha tem muitas vontades e pouco tempo, já começo a achar que o tempo que ela passa na escola é um pouco demais. Aonde arrumar tempo para o balé, natação, teatro, aula de circo, fonodióloga, dentista e lição de casa?
Vamos combinar que não dá? Vamos relaxar sobre o assunto e deixar nossos filhos brincando? Essa é a parte mais difícil, relaxar. Como fica a globalização, o mercado de trabalho, o futuro deles? Como está fica. O futuro deles não somos nós que vamos escolher. Algumas vezes tenho que respirar fundo e me desconectar da pressão feita pelos outros pais, que uma matéria na revista Time chamou de Pais Helicópteros. Adorei a definição.
Não vou entrar no assunto de como o Enem prejudicou a qualidade de vida escolar, massacrando nossos filhos com conteúdo ao invés de uma experiência escolar por completo. Fica aqui meu protesto e assunto para outro post, pois estou com ele engasgado faz muito tempo.
Voltando ao assunto, fazemos o que podemos, queremos que nossos filhos tenham nossos valores e outros tantos a mais que não tivemos a chance quando nós mesmos éramos cotocos. Coisa difícil e próxima ao impossível de acontecer.
É preciso achar um equilíbrio, incluir nessa loucura um dolce far niente em que os europeus são tão bons, cancelar compromissos, reaprender a viver. Por eles e, pensando bem, pela nossa saúde.




2 comentários:

RENATA RZ - Dicas Green disse...

Oi Flavia!
Muito prazer em conhecê-la!
Adorei este post. Eu também penso muito sobre isso: já fui uma mãe workaholic e eu e meu filho mais velho perdemos muitos momentos juntos por isso. Depois tive a minha mais nova e percebi que naquele ritmo não ia dar e parei tudo! Agora estou no esquema Slow Family Living e é MUITO difícil pra mim, ficar em casa.

Só que vale a pena. Não me arrependo nem um pouco. Mais pra frente volto a todo vapor. Por enquanto vou fazendo bicos e trabalhos que não interfiram nos horários dos meus filhos: escola, balé, natação, festinhas, brincar com os amigos, fazer arte em casa, levar no dentista, coisas que antes eu mal conseguia fazer.

ADOREI a definição Pais helicópteros. hhahahahahah

Incrível o vídeo que você me mandou ein? Acho que vou postá-lo no Dicas Green!

Vou dar mais uma voltinha no seu blog..

super beijinhos verdes!

Carol Garcia disse...

Olá,
adorei seu blog.
e esse post pega bem no meu calinho.
não sei se conseguiria ser uma mama slow, mas equilibro bem as atividades que faço com o pequeno.
outra coisa da vida: lado profissional e maternal vivem se esbarrando...
bjoca
carol
http://viajandonamaternidade.blogspot.com