quinta-feira, 27 de março de 2008

as pajens e eu: introdução


Minha avó tem 90 anos e não há ninguém na face da terra que consiga que ela chame babá de babá. Para ela é pajem e ponto final. Coisa fofa. 
Daqui para frente deste texto tenho perfeita consciência de que estou pisando em ovos e de que não tenho nenhuma qualificação para ser malabarista do Cirque du Soleil (aonde ví um número onde duas meninas chinesas equilibram-se em lâmpadas. Isso mesmo, todo o peso delas em lâmpadas). Mas tem coisas que eu não consigo só assistir, além disso infelizmente eu tenho uma atração muito forte que me faz mexer em casa de maribondo mesmo saindo picada. 
Passo mais tempo do que gostaria ouvindo leva e trás do anjo-da-guarda aqui de casa com as colegas de trabalho. Fico de cabelo em pé com coisas do tipo: a patroa* pede que ela (a babá) desça do carro no meio da rua e que vá a pé de volta para casa toda vez que  ela, patroa*, se irrita coma moça. Ou da patroa* que não acredita que os empregados precisem comer, então não compra comida para o resto da casa, só para a família. Ou a história da moça que fica acordada a noite toda com o bebê porque os pais* não querem ouvir nenhum choro durante a noite (!!!!) e ainda tem que passar o dia todo cuidando dessa criança, sem um minuto de descanso. Tem também a da que mantém a babá acordada até as 2 da manhã porque o filho só dorme a essa hora. Mais uma? Então tá: que tal a do patrão* que não quer nem ver a cara das pessoas que trabalham na casa dele e elas tem que passar escondidinho e nem podem lhe dirigir a palavra? Daonde sairam essas histórias tem muito mais, posso passar horas aqui escrevendo, mas não vou me estender; acho que com um pouco de sensibilidade já deu para ter uma idéia daonde quero chegar.
Antes de mais nada, se eu contrato uma pessoa que vai trabalhar dentro da minha casa é porque eu tenho 100% de confiança nela. Se eu tiver 0,00001% de dúvida, essa pessoa não vai entrar na minha casa. Quando eu contrato uma pessoa para tomar conta do bem mais precioso de minha vida, as minhas crias, eu vou tratá-la no mínimo com respeito e consideração. Como eu trataria qualquer outro ser humano sem me comportar como sinhazinha de casa grande. Eu tomo conta de meus filhos (gosto muito de ficar com eles) com bastante frequência-felizmente trabalho em casa, muitas mulheres não tem essa sorte. Aconteceu algumas vezes-não sou perfeita, ora bolas- que quando estou com eles depois de uma noite mal dormida eu perco a paciência. Imagino se fosse outra pessoa no meu lugar. 
Ah, tem a história da patroa que queria que a babá folgasse 1 vez por mês. Ela disse então para a patroa: "A senhora aguenta ficar com seus filhos mais do que 15 dias seguidos? Pois eu também não aguento." Mulher lúcida, esta. 
Voltando ao meu ponto de vista, que é muito curto: respeito é bom e todo mundo gosta. Lembrem-se: não há dinheiro nesse mundo que compre o carinho que essas mulheres tem com nossas crias.

* os nomes foram trocados para proteger quem não merece. 

2 comentários:

m disse...

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Alesandra disse...

Sabe e dificil ter confianca em pessoas,,principalmente quando o assunto e nossos filhos...pois sou mamae nova no ramo...mais ainda bem que existe pessoas,que dao oportunidades e um voto de confiancas,,nas babas de hoje em dia...a final de conta como seria a vida de uma mae,solitaria sem nenhuma pessoa ao redor para ajuda-la?como dizem os antigos,,,as pajens,,,bom..acho que deveria ter mesmo mais consideracao,e muito serio o assunto de pessoas serem tratados como escravos,afinal,empregados tbm sao humanos.....!!!!!!abracos